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Pará dominará a mineração

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Produção do Estado do Norte do país deve ser maior do que a mineira nos próximos anos

Se, na siderurgia, Minas Gerais está ficando para trás, o mesmo está prestes a acontecer na mineração, outra grande força da economia que está, inclusive, no nome do Estado. A liderança no valor da produção mineral brasileira (PMB, que é a soma de todos os bens minerais produzidos no país) está ameaçada pelo Pará. Neste ano, até maio, Minas detinha 43,3% dos ganhos financeiros da atividade, enquanto o Pará participava com 40,08%. A diferença entre os dois Estados vem diminuindo nos últimos anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para especialistas no setor, é questão de tempo para que Minas perca seu histórico primeiro lugar.

No ano passado, as minas do Pará tiveram recorde de produção de minério de ferro, conforme dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) do Pará. Foram 169,15 milhões de toneladas, volume 14,2% maior do que em 2016. Cerca de 60% dos ganhos financeiros do setor mineral vêm da extração de minério de ferro, segundo a gerente de pesquisa e desenvolvimento do Ibram, Cinthia Rodrigues. “A vantagem de Minas Gerais é sua diversidade de bens minerais. O Estado tem também ouro e nióbio, que são bem valorizados”, diz.

O consultor de relações institucionais da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Waldir Salvador, aposta que a produção de minério paraense possa superar a mineira em menos de um ano. Para ele, a data pode não ser precisa, mas o fato é certo. “O teor de ferro do minério no Pará é maior. Além disso, existe a vantagem logística. O Estado está mais próximo de um porto, no Maranhão, e é mais fácil escoar a produção”, observa.

A estratégia da Vale também impulsiona o crescimento da extração de minério de ferro no Pará, segundo o pesquisador da diretoria de estatística e informações da Fundação João Pinheiro (FJP), Thiago Almeida. Ele explica que a mineradora decidiu priorizar a produção no sistema Norte, no Pará, e reduzir no sistema Sul-Sudeste, em Minas. “As minas do Estado são mais antigas e com maior custo de produção. Logo, é razoável pensar que a produção do Pará possa igualar ou ultrapassar a de Minas Gerais”, analisa.

Para Almeida, isso só não vai acontecer se a mineradora decidir mudar essa estratégia. Foi em dezembro de 2016 que a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, inaugurou o projeto batizado de S11D Eliezer Batista, em homenagem ao ex-presidente da empresa e pai de Eike Batista, em Canaã dos Carajás, no Pará. Agora, está lá a maior operação da empresa.

O pesquisador da FJP ressalta que o desempenho da indústria mineral em Minas também é influenciado pela paralisação das operações da Samarco – suspensas desde novembro de 2015, após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

O engenheiro de minas Wilson Trigueiro de Sousa, professor aposentado da Universidade Federal de Ouro Preto, também não descarta a possibilidade de o Pará superar Minas. “A produção do Pará é crescente – não apenas de ferro, mas de outros minérios”, observa.

Concentração

Líderes. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em 2016, 86,9% do valor da produção mineral do país foi proveniente dos Estados de Minas Gerais e Pará.


Investimentos do setor terão cortes nos próximos anos
Os investimentos privados no setor mineral brasileiro devem voltar a crescer. É o que mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O desembolso das empresas deve chegar a US$ 19,5 bilhões no período 2018-2022. A estimativa anterior, para o quinquênio de 2017 a 2021, previa US$ 18 bilhões, o nível mais baixo dos registros do Ibram. “Como são investimentos de longo prazo, fazemos os cálculos para períodos de cinco anos”, observa a gerente de pesquisa e desenvolvimento do Ibram, Cinthia Rodrigues.

Ela explica que em setembro será feita a revisão dos números projetados para o intervalo de 2018 a 2022. “Nesse momento, vamos poder analisar o impacto da mudança regulatória nos investimentos”, analisa.

Essa mudança foi consolidada no último dia 12 de junho, quando o presidente Michel Temer assinou decretos alterando o Código de Mineração, que era de 1967. O advogado especialista na área Raphael Boechat avalia essa atualização como positiva. “Trouxe segurança jurídica, e isso incentiva investimentos”, analisa.

Conforme dados do Ibram, no período de 2012 a 2016 o investimento foi de US$ 75 bilhões, praticamente quatro vezes mais que o esperado entre este ano e 2022. “Era outro momento da economia. Naquela época, o preço internacional do minério estava em alta, a China estava comprando, e a economia do Brasil estava aquecida”, explica.

Presença

Fatia do PIB. O setor de mineração é responsável por 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em Minas Gerais, a atividade está presente em cerca de 400 municípios.


Produção da Vale recua 4,9% em 2018
A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre deste ano diminuiu 4,9% em relação ao mesmo período de 2017, nacionalmente. Em Minas Gerais a queda foi ainda maior, 18%. No ano passado, a companhia teve produção recorde de minério, com 366,5 milhões de toneladas, uma alta de 5,1% frente a 2016. O resultado foi fruto do desempenho do S11D, no Pará, conforme relatório da companhia. Também contribuiu para o resultado o incremento da produção na planta Conceição I, no Sistema Sudeste.

Leia mais em: https://www.otempo.com.br/capa/economia/par%C3%A1-dominar%C3%A1-a-minera%C3%A7%C3%A3o-1.1863825

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Fonte: www.otempo.com.br  

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